Tractor adaptado para responder às necessidades das zonas rurais inacessíveis
Maputo, 22 Abr (AIM) – O Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), maior partido da oposição, exige que a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareça a origem e aplicação dos fundos utilizados na aquisição de tractores destinados ao transporte semi-colectivo de passageiros e carga em zonas rurais.
A posição foi apresentada pelo deputado Aristídes Novela, durante a sessão de perguntas de insistência sobre o Informe da PGR, apresentado hoje na Assembleia da República (AR), em Maputo, pelo procurador-geral, Américo Letela.
Na sua intervenção, Novela questionou a utilidade prática dos tractores adquiridos e se estes estão efectivamente a ser utilizados como meio de transporte semi-colectivo no país.
“Digníssimo procurador, o nosso povo também quer esclarecimentos sobre a compra dos famosos tractores para o transporte de pessoas e bens nas localidades, a nível das províncias”, disse.
No início de 2025, o Governo anunciou a aquisição de cerca de 400 tractores destinados ao transporte de passageiros e carga, sobretudo em zonas com condições adversas de mobilidade, como áreas lamacentas, montanhosas e com vias intransitáveis para veículos convencionais.
Cada tractor teria capacidade para transportar até 60 passageiros, com atrelados adaptados com assentos, cintos de segurança e bagageiras, visando garantir condições mínimas de segurança.
“Queremos que a PGR”, disse Novela, “explique como ocorreu o processo de aquisição desses meios; quem neste lugar já utilizou esses tractores defeituosos; o povo já sabe que se trata de mais uma manobra do governo para desviar dinheiro dos impostos dos moçambicanos”.
Por seu turno, a Renamo, segundo maior partido da oposição, defendeu a necessidade de renovação dos informes apresentados pela PGR, apontando repetição de diagnósticos e metas ao longo dos últimos dez anos.
“Reconhecemos o esforço de manter a repetição, mas a repetição indica que os problemas estruturais permanecem por resolver; o país precisa que os informes tragam resultados reais e que impactem na vida do cidadão comum, não apenas diagnósticos semelhantes”, afirmou o deputado Hermínio Morais.
Morais exigiu ainda a responsabilização de redes que alegadamente interferem em processos judiciais.
“A razão, segundo magistrados e funcionários judiciais, é a intervenção externa; alguém ligado ao poder político contacta alguém ligado à Procuradoria a nível local, distrito ou província, solicitando que o processo seja colocado na gaveta”, disse.
Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) considera que ainda persiste a influência do poder Executivo no sistema de justiça, além de limitações de recursos humanos e financeiros.
“No documento em nossa posse, constatamos que um magistrado está para cerca de 45 mil habitantes; diante do actual estágio da justiça, várias perguntas se impõem; quanto tempo o povo terá de esperar para ter acesso à justiça célere?”, afirmou a deputada Judite Macuácua.
O procurador-geral deverá regressar à Assembleia da República na quinta-feira para responder às perguntas de insistência colocadas pelos deputados.
(AIM)
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