Bancada parlamentar da Renamo tenta inviabilizar apresentação do informe do Presidente da República sobre a Situação Geral do Estado da Nação com apupos e apitos
Maputo, 20 Dez (AIM) – A bancada parlamentar da Renamo, o maior partido da oposição moçambicana, tentou inviabilizar, esta quarta-feira (20), a apresentação do informe do Presidente da República sobre a Situação Geral do Estado da Nação com apupos e apitos.
O acto foi a última etapa da campanha da Renamo para tentar reverter os resultados das eleições autárquicas de 11 de Outubro.
Todos os deputados da Renamo envergavam t-shirts pretas com slogans como “tiranos roubaram votos do povo” e “abaixo ladroes de voto”.
Quando Nyusi começou a falar, os deputados da Renamo começaram a cantar “queremos justiça eleitoral” e “queremos os nossos votos”. Alguns usavam apitos para aumentar o barulho.
Volvidos alguns minutos, a presidente do parlamento, Esperança Bias, tentou impor ordem na sessão. Para o efeito, pediu aos deputados da Renamo para mostrarem algum decoro, mas foi tudo em vão porque decidiram ignorá-la.
Bias falou então calmamente com o Presidente da República para, aparentemente, tentar convencê-lo a abandonar o seu discurso.
Mas o Presidente decidiu prosseguir até ao fim, pois tinha o controlo do microfone. Embora a algazarra da Renamo tornasse quase impossível ouvir o Presidente no interior da sala das sessões plenárias, do lado de fora qualquer pessoa que estivesse a acompanhar o discurso através da radio ou televisão podia ouvir tranquilamente.
“Vou continuar a falar, porque o povo está a ouvir-me muito bem”, disse Nyusi.
Os deputados da Renamo cantaram durante cerca de duas horas do discurso de Nyusi. Mas se esperavam fazer calá-lo, certamente que terão ficado desapontados pois o estadista moçambicano foi até ao fim.
Refira-se que Bias está investida de poderes para chamar a polícia para retirar os manifestantes da Renamo, mas recusou-se a usá-lo.
No final do seu discurso, Nyusi anunciou que os funcionários do Estado vão receber o bónus de Ano Novo, conhecido como “o 13º mês”.
Tradicionalmente, este bónus consiste no pagamento de um mês extra do salário base. Mas, este ano, o bónus será de apenas 30% do salário de base, o que não deixará de desiludir os trabalhadores da função pública.
Nyusi concluiu o seu discurso afirmando que Moçambique “criou bases sólidas para crescer nos anos que se seguem como um país competitivo, sustentável e inclusivo”.
(AIM)
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