Imagem: Produção de alimentos, Foto de Santos Vilanculos AIM
Custódio Cossa, da AIM
Maputo, 18 Set (AIM) – O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) critica os manifestos dos maiores partidos políticos, nomeadamente a Frelimo, Renamo e Movimento Democrático de Moçambique (MDM), pelo facto de não apresentarem propostas claras para o sector da agricultura nos próximos anos.
A organização diz que, assim sendo, estes vão contra um sector que desempenha um papel crucial na economia de Moçambique e que aliás contribui com quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país e emprega quase 70 por cento da força de trabalho do país.
A informação consta de um relatório elaborado pelo pesquisador desta instituição Salvado Raísse e enviado à AIM intitulado “Eleições e o Futuro da Agricultura”.
“Apesar de haver um consenso nacional sobre a importância do sector na economia e na vida dos moçambicanos, observa-se uma falta de clareza por parte dos candidatos presidenciais na actual corrida eleitoral quanto aos seus planos concretos para este sector”, lê-se no documento.
“Discute-se pouco sobre o papel que este sector deve desempenhar na agenda de desenvolvimento do país no próximo ciclo de governação”, aponta.
O documento diz que o manifesto eleitoral da Frelimo, partido no poder, foca na defesa da soberania, integridade territorial e unidade nacional, o investimento em saúde, educação, igualdade de género, juventude, desporto e cultura entre outros, mas não apresenta detalhes específicos sobre o sector agrícola.
Já a Renamo, o maior partido da oposição defende uma governação estruturada na defesa da soberania e integridade territorial, governação democrática baseada na separação e interdependência dos poderes, governação social voltada para o empoderamento dos sectores sociais, governação económica com foco no sector privado e governação ambiental para a defesa do meio ambiente.
O manifesto do MDM destaca a melhoria da vida da população como prioridade, abordando desafios como a criação de mais indústrias e o investimento na agricultura.
O documento peca por não fornecer um plano detalhado sobre como pretende transformar o sector agrícola ou como lidar com as dificuldades enfrentadas pelos agricultores.
Por último, o pré-manifesto de Venâncio Mondlane propõe uma reforma do Estado e da governação como pilar central, com foco no desenvolvimento sustentável da economia, reforma constitucional e separação de poderes. Menciona a modernização da defesa da soberania e segurança pública.
Assim sendo, o CDD defende que a falta de propostas para o sector demonstra uma falta de atenção face aos desafios urgentes do país.
“Diante deste cenário crítico, é incompreensível que os manifestos eleitorais dos principais partidos políticos quase não abordem estas questões fundamentais que afectam cerca de 70 por cento da população que vive na zona rural e depende directamente do sector agrícola”, defende.
“A falta de propostas detalhadas e robustas sobre a agricultura e as mudanças climáticas revela uma preocupante ausência de atenção a desafios urgentes, essenciais para a segurança alimentar e o bem-estar da população”, realça.
A organização diz que a ausência de propostas detalhadas e explícitas para o sector agrícola é preocupante, considerando a sua importância para a economia, a segurança alimentar e o desenvolvimento das zonas rurais
Conclui apontando que um compromisso com a agricultura não só vai impulsionar o crescimento económico e a criação de empregos no país, mas vai ainda garantir a segurança alimentar e o desenvolvimento do país.
(AIM)
CC/sg
