Presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, fala em conferência de imprensa. Foto arquivo
Maputo, 04 Ago (AIM) – A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) exige a alteração da comissão que representa o governo no diálogo em curso para busca de solução da carta reivindicativa daquela agremiação, que ameaça entrar novamente em greve.
Em conferência de imprensa havida hoje (04) em Maputo, o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, explicou que a exigência para a mudança da comissão deve-se incumprimento dos protocolos acordados nas sessões anteriores de diálogo, facto que atrasa as negociações com o governo.
A comissão, segundo Muchave, não tem seguido o seu papel de mediador e representante do governo.
“Nós, como associação”, disse, “estamos a ser ignorados, porque já colocamos esses dados ao governo e o governo colocou uma equipe que ignora, uma equipe que diz que vai marcar reuniões, equipe que cria grupos de WhatsApp. O governo devia ter vergonha de criar grupos de WhatsApp para tratar assuntos que tratam de vidas”.
Submetida ao governo em 2023, a carta reivindicativa da APSUSM inclui pagamento de horas extraordinárias, turnos, exclusividade. A carta também inclui o reenquadramento definitivo do regime geral e específico do Sistema Nacional de Saúde (SNS), bem como do pagamento de salários fixos e em datas fixas.
“Nós, na realidade informamos ao governo todos esses problemas, mas continuam a ser ignorados, porque essa equipe que foi colocada na realidade não senta, submetemos cartas, o que acontece é que o governo diz que está a resolver, mas não tem nenhum protocolo daquilo que está a ser feito”, afirmou.
A comissão criada pelo governo, de acordo com Muchave, não tem um protocolo com os pontos acordados. Isso facto faz com que a Associação exija o cumprimento para dar sequência à agenda.
“A equipa do governo só diz que já resolvemos isto. Não tem nenhum documento protocolado, mas diz que já resolveu”, acrescentou.
Muchave reconhece que o governo já começou a pagar horas-extraordinárias, directamente nas contas salariais dos membros da APSUSM, afirmando terem já existido, mas sem efeito, três reuniões com a comissão.
“Mas não há diálogo permanente; aquilo que acontece nas unidades sanitárias o que nós questionamos na nossa carteira reivindicativa é a falta dos medicamentos, a falta de corrente eléctrica, não é porque o governo não disponibiliza a corrente eléctrica, é porque nós como associação estamos a ser ignorados”, disse.
Em Março último, a APSUSM anunciou a retoma da greve, por tempo indeterminado, caso o governo não respondesse às preocupações que inquietam a classe.
A ameaça surge volvidos dois anos após a assinatura dos acordos entre o governo e a associação, para busca de uma resolução da carta reivindicativa.
A última greve foi anunciada a 29 de Abril de 2024, e visava pressionar o governo a concretizar os acordos firmados em Junho e Agosto de 2023, com os profissionais de saúde. Entretanto, após negociações com o governo, a APSUSM suspendeu a mesma para que as questões acordadas fossem resolvidas.
(AIM)
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