Coronel Michael Randrianirina, centro, anuncia golpe de estado. Foto Brian Inganga/AP
Maputo, 16 Out (AIM) – A União Africana (UA) suspendeu quarta-feira (15) o Madagáscar daquela organização continental que vela pela cooperação, paz, segurança, democracia e pelos direitos humanos.
A suspensão do Madagáscar tem efeitos imediatos e acontece um dia após a tomada do poder pelos militares e a respectiva destituição do Presidente daquele país insular, Andry Rajoelina, diz a AFP.
O anúncio é do presidente do parlamento pan-africano, Fortune Charumbira.
Rajoelina (51) confirmou pela primeira vez que abandonou o país, após várias semanas de protestos que culminaram na tomada de poder executada pelos militares.
Rajoelina viajou entre sábado e domingo últimos, depois das “ameaças explícitas e extremamente sérias contra a vida do Chefe de Estado”, afirmou um comunicado da Presidência malgaxe, divulgado na noite de quarta-feira (15).
A nota acrescenta que as ameaças ocorreram no momento em que o Presidente deposto deveria efectuar uma viagem internacional oficial.
A imprensa informou que o ex-estadista foi retirado no domingo em um avião militar francês.
E, na segunda-feira, Rajoelina afirmou que estava refugiado em um “local seguro”, sem revelar mais detalhes.
Rajoelina, que chegou ao poder em 2009, após um golpe apoiado pelos militares, acusou a Assembleia Nacional malgaxe de se aliar aos militares para retirá-lo da Presidência.
Os militares que assumiram o poder afirmaram que seu líder, o coronel Michael Randrianirina, tomará posse na sexta-feira (17).
A destituição de Rajoelina ocorreu após um movimento de protesto iniciado por jovens em 25 de Setembro, cujas reivindicações estavam centradas na falta de água e energia eléctrica.
A comunidade internacional expressou preocupação com os acontecimentos e a ONU considerou uma tomada “inconstitucional” de poder.
Madagáscar é a última de uma meia dezena das ex-colónias francesas africanas a cair sob controle militar desde 2020, após os golpes em Mali, Burkina Faso, Níger, Gabão e Guiné-Conacri.
(AIM)
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