Droga apreendida na província de Nampula. Foto arquivo
Maputo, 17 Out (AIM) ‒ As autoridades sanitárias já investiram até o momento cerca de 89 milhões de meticais (cerca de 1,4 milhão de dólares) na reabilitação de pessoas com complicações relacionadas com o consumo de drogas em Moçambique.
“Em termos económicos, no nosso país, até agora, já houve um custo total de cerca de 89 milhões [relacionado ao tratamento de pessoas] que tinham complicações relacionadas ao consumo destas substâncias, e estamos a falar de um programa que não conseguiu ter abrangência nacional”, disse Wilsa Fumo, especialista do Departamento de Saúde Mental, na Direcção Nacional de Saúde Pública
Acrescentou que as consequências económicas para a reparação dos danos causados pelas drogas são muito superiores aos custos da prevenção, “daí que a prevenção tem sido o principal enfoque”.
Para além das consequências económicas para o país, a fonte destacou as consequências mais básicas a nível familiar, relacionadas ao desemprego e à falta de renda, resultante das pessoas que, em resultado do consumo de drogas, foram perdendo algumas faculdades.
Em relação as apreensões, o primeiro semestre deste ano regista-se uma redução de cannabis sativa (vulgo soruma) e metanfetamina, assim como o número de detidos, enquanto os casos de cocaína e heroína aumentaram comparativamente ao primeiro semestre do ano passado.
As informações constam do “Relatório sobre a situação do consumo e tráfico ilícitos de droga registada no país – primeiro semestre de 2025” compilado pelo Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga. A apresentacao foi do chefe da repartição central de crimes contra a ordem e tranquilidade públicas no Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Eusébio Nhamússua.
As apreensões de cannabis sativa reduziram de 881,378 quilos no ano 2024 para 452,957 quilos no presente ano.
Os casos de metanfetamina reduziram de 438,5 em 2024 para 416.871 no presente ano.
Relativamente a cocaína, houve apreensão de 109,6 quilos no presente ano contra 55,793 quilos, revelando aumento de apreensões, o mesmo sucedeu com a heroína, que registou aumento de apreensões, saindo de 42, 22 quilos no primeiro semestre do ano passado para 79, 578 quilos no primeiro semestre deste ano.
As autoridades apreenderam ainda 4,248 quilos de haxixe, 11,66 quilos de anfetamina, oito gramas de Mandrax e 5, 270 quilos de fármacos.
Nas rotas de tráfego de drogas estão a marítima e aérea, sendo que na marítima destaca-se a “rota Afeganistão-Paquistão, que usa o Oceano Índico, desaguando no nosso território”, através, sobretudo, dos portos de Maputo e Nampula.
Na via aérea, a mais frequente é a rota São Paulo – Maputo e os aeroportos de Maputo e Nampula são os mais usados.
Relativamente ao movimento processual, o primeiro semestre registou um total de 250 processos, contra 308 do primeiro semestre do ano passado. Em conexão com estes processos, houve detenção de 294 indivíduos, sete dos quais estrangeiros, contra 475 em relação ao igual período do ano passado, indicando redução de 181 detidos.
Dos detidos, 113 beneficiaram-se de liberdade provisória e 116 acompanham os respectivos processos sob custódia e 65 aguardam a conclusão da instrução dos processos.
As autoridades incineraram 285,85 quilos de cannabis sativa, 33,84 quilos de heroína, 2, 335 quilos de haxixe, 127,585 quilos de metanfetamina e 5, 270 quilos de produtos fármacos.
(AIM)
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