Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Educação Profissional (ANEP), Samuel Samo Gudo
Maputo, 01 Dez (AIM) – O Governo moçambicano vai investir 12 milhões de dólares na reabilitação de instituições técnico-profissionais em todo o país, no âmbito de um projecto de reforma apoiado por parceiros.
“É um investimento no âmbito de um projecto de reforma apoiado por vários parceiros”, anunciou esta segunda-feira (01), em Maputo, o secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional, Leo Jamal, durante o Fórum de Educação Profissional com o Sector Produtivo.
Jamal destacou que nove instituições já têm financiamento assegurado e iniciarão obras em 2026.
O investimento visa ampliar a capacidade formativa e alinhar a oferta educativa às necessidades do mercado de trabalho, uma medida necessária face à elevada taxa de crescimento da população jovem em Moçambique.
“Moçambique regista uma das taxas mais elevadas de crescimento da população jovem da África Austral”, afirmou.
Jamal sublinhou que a economia ainda não gera empregos suficientes para acompanhar a evolução demográfica, o que torna essencial reforçar a ligação entre formação e emprego.
“A formação por si só não gera empregos, mas é verdade que jovens devidamente preparados têm melhores possibilidades de empregabilidade, seja trabalhando para outrem ou criando o seu próprio emprego”, disse.
A reforma em curso introduz currículos baseados em padrões de competência definidos com o sector produtivo.
“Esta visão permite-nos assegurar que a habilidade aprendida num instituto ou centro de formação profissional esteja de acordo com as competências exigidas nas empresas, nas fábricas ou em qualquer outro espaço de produção”, explicou.
Por isso, incentiva o sector produtivo a participar na definição das necessidades formativas, na certificação de competências e na inserção dos formandos.
“Este é um momento único, em que o sector produtivo, as instituições de formação e os parceiros podem avaliar até que ponto aquilo que oferecemos ao mercado é efectivamente relevante”, sublinhou.
O dirigente destacou os progressos registados nos últimos 15 anos, sobretudo na capacitação de formadores. “Formámos mais de 3.000 formadores em matérias tecnológicas e psicopedagógicas.”
Acrescentou que foram ainda criadas novas instituições e centros de formação para ajustar a oferta às necessidades da economia, mas, apesar dos avanços, ainda persistem muitos desafios.
“O grande desafio é ampliar a nossa capacidade de oferta. Temos actualmente 264 instituições com capacidade para formar 120 mil jovens por ano, mas acreditamos que podemos incrementar esta capacidade”, referiu.
O Executivo projecta requalificar 30 instituições técnico-profissionais em todo o país. A intervenção nas restantes depende da mobilização de recursos.
Sobre a contribuição das empresas para o financiamento do ensino técnico-profissional, previsto na lei que criou a Autoridade Nacional de Educação Profissional (ANEP), Jamal assegurou haver uma vontade clara do sector produtivo de contribuir. “A lei estabelecia até 1%, mas foi aprovado que a contribuição será de 0,65%.”
Avançou ainda que o Ministério da Economia e Finanças está a concluir o modelo de recolha, permitindo que as primeiras contribuições ocorram no próximo ano.
Quanto às necessidades formativas, Jamal indicou que a maior pressão incide nos sectores de construção civil, agricultura e manutenção industrial, mas alerta sobre a necessidade de ampliar a formação em tecnologias de informação e comunicação (TIC).
“A oferta nesta área ainda está abaixo de 2 a 3%. Precisamos de garantir que mais instituições possam formar em TIC para corresponder as exigências actuais do desenvolvimento económico”, afirmou.
Já o Presidente do Conselho de Administração da ANEP, Samuel Gudo, reforçou a importância da colaboração contínua com as instituições de formação para resolver desafios persistentes.
“Temos visitado instituições que apresentam problemas, como o Instituto Industrial e de Computação Armando Emílio Guebuza de Beluluane, para perceber e resolver os obstáculos existentes”, disse.
O PCA sublinhou a importância do fórum e do debate com o sector produtivo para reforçar a empregabilidade. “É fundamental propor formas concretas de alargar o mercado de formação às empresas, envolvendo-as na oferta de cursos de longa e curta duração e na realização de estágios pré-profissionais, identificando cadeias de valor que favoreçam a empregabilidade dos jovens.”
Gudo lembrou ainda a necessidade de reforçar a componente industrial. “Se queremos desenvolver este país, temos que trabalhar na industrialização. Seria importante incluirmos esta área de forma mais clara.”
(AIM)
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