Medical stores of the National Health Service in Maputo province.
Maputo, 09 Jan (AIM) – As autoridades sanitárias denunciaram, esta sexta-feira (09), o roubo de medicamentos anti-maláricos avaliados em cerca de 42 milhões de meticais (cerca de 657 mil dólares), ocorrido nos armazéns centrais do Sistema Nacional de Saúde (SNS), localizados na província de Maputo, sul de Moçambique.
O caso, considerado grave, envolve funcionários do sector da saúde e agentes de segurança, já detidos, e expõe fragilidades no controlo da cadeia de distribuição de medicamentos essenciais.
Segundo dados avançados pela directora-geral da Central de Medicamentos e Artigos Médicos, Noémia Escrivão, foram desviados 844.860 tratamentos anti-maláricos, o equivalente a quase um milhão de unidades destinadas ao tratamento da população.
Deste total, apenas 5.100 tratamentos foram recuperados, o que corresponde a cerca de 0,6 por cento do volume roubado, deixando mais de 99 por cento dos medicamentos ainda em circulação ilegal.
“O roubo foi detectado em Dezembro, durante um processo normal de distribuição. Após a análise das câmaras de videovigilância, percebemos que o desvio foi feito de forma gradual”, explicou Noémia Escrivão, em conferência de imprensa.
A responsável detalhou que as imagens mostram retiradas sucessivas de paletes de medicamentos em datas distintas, nomeadamente nos dias 13 e 19 de Novembro.
A investigação, conduzida pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em coordenação com a Procuradoria-Geral da República e a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos, resultou na detenção de seis indivíduos, incluindo um trabalhador do armazém, dois agentes de segurança e compradores da mercadoria. Parte dos fármacos foi apreendida na cidade de Chimoio, quando seguia para comercialização clandestina no Malawi.
“Estamos a falar de medicamentos com a inscrição ‘uso exclusivo do Ministério da Saúde’. Qualquer pessoa que encontrar estes produtos fora de uma unidade sanitária tem o direito e o dever de denunciar”, apelou a directora-geral.
Noémia Escrivão alertou ainda para o impacto directo do roubo na saúde pública, nomeadamente a falta de tratamento para os doentes, um cenário particularmente preocupante numa altura em que o país entra no período chuvoso, tradicionalmente associado ao pico da malária.
Embora as autoridades garantam que, por enquanto, existem stocks para suprir a procura imediata, admitem que o desvio fragiliza seriamente o sistema nacional de saúde.
“O desvio de anti-maláricos é danoso para o Sistema Nacional de Saúde e dilui todo o esforço do Governo”, frisou.
(AIM)
Paulino Checo/sg
