Maputo, 02 de Out (AIM) – O Governo de Moçambique quer transformar as prioridades de adaptação e mitigação às mudanças climáticas em projectos concretos capazes de mobilizar financiamento público e privado para tornar os sistemas agroalimentares mais resilientes.
A estratégia ganhou novo impulso esta semana, em Maputo, onde o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), o Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) reuniram representantes de instituições públicas, sector privado, organizações financeiras, produtores, investigadores e parceiros de desenvolvimento.
O encontro serviu para auscultar e validar a proposta do Plano de Investimento Climático para os Sistemas Agroalimentares de Moçambique, documento que pretende orientar investimentos para sectores estratégicos da agricultura e para cadeias de valor consideradas prioritárias.
A iniciativa procura responder a um dos principais desafios da transição para uma economia mais resiliente, como transformar prioridades climáticas em projectos suficientemente estruturados para atrair financiamento e gerar resultados no terreno.
Durante o encontro foi lançada uma chamada para ideias de projectos, destinada a apoiar os diferentes actores na transformação de soluções climáticas em propostas concretas, inclusivas e com potencial de financiamento.
A iniciativa pretende criar uma carteira inicial de projectos que combine relevância climática, viabilidade financeira e capacidade de produzir benefícios para os diferentes intervenientes das cadeias de valor agroalimentares.
As discussões concentraram-se na validação das prioridades de investimento para cadeias de valor seleccionadas e na identificação de mecanismos capazes de reduzir os riscos associados aos investimentos climáticos.
A expectativa é que estas propostas possam aproximar as necessidades do sector produtivo das fontes de financiamento, criando condições para que soluções desenvolvidas por produtores, empresas, instituições públicas, investigadores e outros parceiros possam avançar da fase de ideia para a implementação.
A aposta surge num contexto em que os sistemas agroalimentares enfrentam uma pressão crescente provocada pelos eventos climáticos extremos, que afectam a produção, as infra-estruturas, os rendimentos das famílias e a segurança alimentar.
Para além da identificação de prioridades, o processo procura criar instrumentos que permitam reduzir os riscos e aumentar a confiança dos investidores, abrindo espaço para uma maior participação do sector privado no financiamento da acção climática.
A construção de uma carteira de projectos climaticamente relevantes e financeiramente viáveis constitui, por isso, uma das principais apostas do processo. A intenção é oferecer aos potenciais financiadores propostas mais estruturadas e alinhadas com as necessidades de desenvolvimento do país.
A iniciativa é desenvolvida no âmbito do projecto “Aumento do Co-investimento Público-Privado para a Acção Climática nos Sistemas Agroalimentares”, implementado pelo MAAP e pelo MPD, com assistência técnica da FAO e financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF).
O modelo assenta numa maior articulação entre instituições públicas, investidores privados, produtores, organizações financeiras, investigadores e parceiros de desenvolvimento.
Ao reforçar esta ligação, Moçambique procura criar condições para que os recursos destinados à acção climática tenham maior impacto sobre os sistemas agroalimentares, ao mesmo tempo que se estimulam investimentos capazes de responder aos desafios de produtividade, resiliência e segurança alimentar.
(AIM)
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