Secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro
Lisboa, 09 Fev (AIM)- O Secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, reconheceu na noite deste domingo (08) o facto do Presidente eleito de Portugal, António José Seguro, ter avançado para a corrida a Belém sozinho, colhendo mais tarde o apoio do PS.
António José Seguro, antigo Secretário-geral do PS, tornou-se este domingo o Presidente da República eleito com o maior número de votos expressos em 50 anos de democracia, ao superar os 3.459.521 de Mário Soares no sufrágio de 1991, obtendo cerca de 67 por cento dos votos contra 33 por cento do seu adversário, André Ventura, apoiado pelo Chega, segundo resultados oficiais provisórios.
Num discurso de saudação ao presidente eleito, José Luís Carneiro descreveu a vitória de António José Seguro como uma “vitória da esperança contra o ressentimento”.
“A democracia hoje (domingo), e mais uma vez, venceu”, disse Carneiro, afirmando que Seguro, à semelhança de Mário Soares e Jorge Sampaio, “será o presidente de todos os portugueses”.
“Cerca de dois terços dos portugueses quis um presidente que defende os valores constitucionais”, acrescentou. “É a vitória de todos os humanistas”.
O secretário-geral do PS deixou “uma palavra de apoio” a Marcelo Rebelo de Sousa e lembrou que o Governo “tem sobre si uma grande responsabilidade”. “Só não responderá aos problemas dos portugueses se continuar a insistir na insensibilidade, arrogância e distanciamento”, disse.
Recusando que este resultado (de António Seguro) seja “um balão de oxigénio” para o PS, Carneiro admitiu que se trata de “uma grande alegria para os socialistas de todo o país”. Nas últimas eleições legislativas realizadas em 2025, ganhas pela AD Coligação PSD/CDS-PP, o PS sofreu uma pesada derrota, tendo ficado em terceiro lugar no Parlamento. O Chega, um partido da extrema-direita, ficou em segundo lugar.
“É evidente que, tendo sido Secretário-geral do PS, ele (António José Seguro) hoje é o presidente de todos os portugueses”, enfatizou José Luís Carneiro.
“Cerca de dois terços dos portugueses mostraram-se a favor da estabilidade constitucional e dos valores constitucionais”, sublinhou Carneiro.
André Ventura reconhece derrota nas urnas
André Ventura assumiu a derrota na segunda volta das presidenciais deste domingo (08), afirmando que “o sucesso de António José Seguro à frente de Portugal será o sucesso de todos”.
No entanto, mesmo não vencendo, Ventura, apoiado pelo Chega, salienta que “este partido teve o seu melhor resultado de sempre”, salientando que superou o resultado que a Aliança Democrática (AD), no poder, obteve nas eleições legislativas de 2025.
“Acho que é justo dizermos, olhando para o resultado desta noite em que superamos o resultado da AD nas últimas legislativas, que os portugueses nos colocaram no caminho para governar este país”, disse Ventura.
O líder do Chega deixou uma garantia: “Lideramos a direita em Portugal e vamos em breve governar este país”.
“Não vencemos, mas estamos no caminho dessa vitória”, acrescentou. “Vamos liderar a direita em Portugal”, reiterou, citado pela imprensa lisboeta, afirmando que o resultado nestas presidenciais “deu-nos estímulo para governar Portugal”.
Presidente da AR saúda presidente eleito
O presidente da Assembleia da República (AR), o Parlamento português, José Pedro Aguiar-Branco, saudou este domingo António José Seguro pela sua vitória na segunda volta das eleições presidenciais, fazendo votos de um bom mandato que assegure cooperação institucional com o parlamento.
Numa mensagem, José Pedro Aguiar-Branco felicitou “o Presidente da República eleito, António José Seguro, fazendo votos de um bom mandato, ao serviço de Portugal e dos portugueses, e assegurando a cooperação institucional do parlamento”.
O presidente da AR deixou também “uma palavra de reconhecimento” ao chefe de Estado cessante, Marcelo Rebelo de Sousa.
“Ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, uma palavra de reconhecimento por uma década de serviço público, na chefia do Estado”, escreveu.
Primeiro-ministro felicita seguro
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, felicitou António José Seguro pela vitória na segunda volta das eleições presidenciais, assegurando que o Governo demonstrará ao presidente eleito “toda a disponibilidade” e “cooperação” no sentido de servir os portugueses.
Luís Montenegro quis, “em nome do Governo, dirigir uma palavra de felicitação ao dr. António José Seguro, o presidente da República eleito”.
“Tive já ocasião de falar com ele, como tive também ocasião de falar com o dr. André Ventura, candidato vencido neste segundo sufrágio”, afirmou Montenegro numa declaração ao país.
Luís Montenegro disse ainda ter garantido a Seguro, em nome do Governo, “toda a disponibilidade para trabalharmos em prol do futuro de Portugal, com espírito de convergência para salvaguardarmos o interesse dos portugueses”.
O primeiro-ministro reiterou a intenção de demonstrar “toda a cooperação” no sentido de “servirmos Portugal e o povo português de forma construtiva e positiva, cada um ao nível da responsabilidade que a Constituição atribui”.
Montenegro felicitou igualmente o povo português “por mais uma demonstração de grande maturidade cívica, que ficou bem patente pelo alto nível de participação”, destacando ainda aqueles que foram às urnas “mesmo nas regiões que vivem por estes dias grandes adversidades em virtude da situação meteorológica”.
PCP diz que “grande notícia” do dia é a “derrota” de André Ventura
O Secretário-geral do Partido comunista, Paulo Raimundo, afirmou este domingo que “a grande notícia do dia” é a “clara derrota” de André Ventura nas presidenciais, enquanto pediu a António José Seguro, Presidente eleito, que “não apoie uma política que afronte” a Constituição.
“Há uma clara derrota e uma clara rejeição de André Ventura e das concepções que transporta” e essa é “a grande notícia do dia de hoje”, sublinhou o líder do PCP, numa declaração no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, quando estavam já apurados mais de 90 por cento dos votos, atribuindo a vitória a António José Seguro, candidato apoiado pelo PS.
“Essa é a grande questão, uma derrota para a qual o PCP se empenhou e, portanto, é com grande satisfação que temos este resultado”, referiu.
(AIM)
DM
