: Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa
Lisboa, 23 Mai (AIM)- O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, conclui esta sexta-feira (23) a primeira ronda de audiências com os partidos que obtiveram representação parlamentar nas legislativas antecipadas do passado domingo (18), tendo em vista a indigitação do primeiro-ministro.
Com efeito, o chefe de Estado ausculta o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) e o Juntos Pelo Povo (JPP), um partido estreante e o único com origem na Região Autónoma da Madeira.
As audições iniciaram na terça-feira (20), tendo Marcelo Rebelo de Sousa recebido, primeiro, o Partido Social-Democrata (PSD), liderado por Luís Montenegro, o Partido Socialista (PS) e o Chega de André Ventura. Na quarta e quinta-feira, o Presidente da República auscultou a Iniciativa Liberal (IL), o Livre, Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda e o CDS-PP.
Em todos os encontros foi sublinhada a necessidade da estabilidade política e governabilidade, num contexto de incertezas no mundo. As legislativas foram ganhas pela AD Coligação PSD/CDS-PP, liderada por Luís Montenegro, mas sem maioria absoluta.
PS reúne comissão nacional este fim-de-semana para lançar bases da sucessão de Pedro Nuno Santos
Depois da humilhante derrota nas legislativas, o Partido Socialista reúne este fim de semana a Comissão Nacional para lançar as bases da sucessão de Pedro Nuno Santos, que se demitiu do cargo de secretário-geral do PS. Nuno Santos anunciou na noite eleitoral que não vai recandidatar-se porque não quer ser “estorvo”.
Até agora, apenas um único candidato manifestou publicamente o interesse de concorrer à liderança do PS. Trata-se de José Luís Carneiro, ex-ministro da Administração Interna no Governo de António Costa.
Algumas reacções internas
Na véspera do encontro da Comissão Nacional, marcado para este sábado (24), o ex-ministro socialista Pedro Silva Pereira defendeu, em declarações à Antena 1, estação de rádio do Grupo RTP – Rádio e Televisão de Portugal, que uma mudança relativamente rápida de liderança pode ajudar o partido a preparar o próximo desafio eleitoral.
“Faria sentido que a eleição acontecesse antes do verão. Quer haja um único candidato, quer haja mais do que um, acho que isso teria vantagem. Eu sinto que existe no PS um ambiente de grande choque com os resultados eleitorais, portanto, penso que seria importante que fosse para a campanha das eleições autárquicas (previstas para Setembro ou Outubro) com uma liderança já escolhida”, diz.
Para o antigo vice-presidente do Parlamento Europeu, uma substituição mais célere de Pedro Nuno Santos poderia servir para “dar um sentido de serenidade e de orientação” ao PS para campanha importante como as eleições autárquicas, que, acredita, podem até resultar numa vitória para os socialistas: “Tem todas as condições para ganhar”.
Pedro Silva Pereira entende ainda que, mais do que calendarizar o processo, a reunião da Comissão Nacional – o órgão máximo entre congressos – deve começar a definir o tom do partido na oposição ao Governo de Luís Montenegro.
“Vai ser uma oportunidade para começar a definir o registo da oposição que deve fazer. Certamente que o momento fundador da legislatura – com o debate parlamentar do Programa de Governo – vai acontecer antes da definição da liderança do PS, seja qual for a decisão da Comissão Nacional”, lembra Pedro Silva Pereira, que aponta: “Há um consenso cada vez mais alargado no PS de que deve viabilizar o Programa do Governo em homenagem aos resultados eleitorais e àquela que é a expectativa do país em razão desses resultados”.
O ex-eurodeputado socialista argumenta que a posição manifestada por Pedro Nuno Santos na noite eleitoral – em que o ainda líder defendeu que o PS não deve ser “suporte” de um Governo da AD – não condiciona os socialistas. E assinala que o partido deve respeitar os resultados, mas avançar com uma oposição que “denuncie” as propostas da coligação PSD/CDS-PP.
“É muito importante que o Partido Socialista encontre um caminho em que a condição de uma oposição responsável e construtiva não o impeça de liderar a oposição e, portanto, de fazer uma oposição firme ao Governo. Eu penso que esse caminho também começará a ser discutido na Comissão Nacional”, salienta.
Quanto à corrida à liderança e substituição de Pedro Nuno Santos – e numa altura em que é praticamente certo que José Luís Carneiro irá sozinho a votos ou que não terá um nome de peso como adversário -, Pedro Silva Pereira prefere não falar em nomes e afirma que não será difícil encontrar um secretário-geral capaz de dar conta do recado.
“Eu penso que o que é importante é que quem se apresente como candidato à liderança do PS o faça por convicção. Foi também o sentimento que Ferro Rodrigues expressou bem recentemente. E é também o meu sentimento (…) Eu não tenho nenhuma preferência em abstrato, acho que o PS tem, entre os nomes que têm vindo a ser referidos nos últimos dias, soluções que deixam o partido certamente entregue em boas mãos”, conclui.
A Comissão Nacional do PS que vai servir para aprovar o calendário eleitoral interno dos socialistas foi convocada para sábado, em Lisboa.
(AIM)
DM
