Maputo, 10 Set (AIM) – A Confederação das Associações Económicas (CTA) alerta que as calamidades, a crise de combustíveis e a escassez de divisas condicionaram o ambiente de negócios em Moçambique no segundo trimestre de 2026, afectando as actividades económicas, as cadeias de abastecimento e a capacidade operacional das empresas.
O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, fez este pronunciamento esta quinta-feira, em Maputo, durante um Economic Briefing sobre o desempenho empresarial no segundo trimestre de 2026 e as perspectivas do sector privado.
Segundo Massingue, as cheias que afectaram as províncias de Gaza e Maputo, a crise de combustíveis e as dificuldades de acesso a moeda estrangeira constituíram alguns dos principais factores de pressão sobre o sector privado no período em análise.
“Estes factores tiveram reflexos directos sobre as actividades económicas, as cadeias de abastecimento e a capacidade operacional das empresas”, disse.
Apesar destes constrangimentos, a CTA registou sinais de melhoria no desempenho macroeconómico. O índice do ambiente macroeconómico aumentou de 55 por cento no primeiro trimestre para 58 por cento no segundo trimestre de 2026, reflectindo uma ligeira aceleração da actividade económica.
Massingue explicou que a evolução foi acompanhada por um ligeiro aumento da procura agregada, uma subida moderada do índice geral de preços e a manutenção da estabilidade cambial.
O responsável referiu igualmente uma evolução favorável das taxas de juro no mercado, com impacto positivo no acesso das empresas ao crédito.
O índice de Robustez Empresarial também registou uma melhoria, passando de 26 para 27 por cento no período em análise.
Para a CTA, embora se trate de uma subida de apenas um ponto percentual, o resultado assume relevância tendo em conta o contexto em que as empresas estão a operar, marcado por sucessivos choques e constrangimentos.
Massingue destacou ainda a redução dos prejuízos médios por unidade produzida, que baixaram de 522 para 483 meticais.
Segundo explicou, a evolução significa que as receitas das empresas cresceram a um ritmo superior ao dos custos, impulsionadas pelo dinamismo da campanha de comercialização agrícola e pela relativa estabilidade do metical.
A CTA considera estes sinais animadores, por demonstrarem a capacidade de resistência e adaptação do sector privado face às dificuldades.
“Não podemos interpretar esta melhoria como sinal de que os problemas estruturais estejam ultrapassados. O primeiro e o mais imediato é o abastecimento regular de combustíveis”, advertiu.
Massingue apontou o abastecimento de combustíveis como um dos principais desafios que continuam a afectar a actividade económica.
O aumento de cerca de 46 por cento no preço do gasóleo, associado à escassez de oferta, tem produzido efeitos em cadeia sobre a indústria, os transportes, a agricultura e os consumidores.
“Uma economia não pode crescer de forma sustentável quando os seus principais factores de produção e de circulação enfrentam constrangimentos”, afirmou.
Outro problema destacado pelo Presidente da CTA é o acesso ao mercado cambial, que continua a limitar a capacidade das empresas de importar matérias-primas, equipamentos, combustíveis e outros insumos essenciais à produção.
“Sem matéria-prima não há produção e as exportações reduzem-se. Não só: sem produção não há continuidade de emprego”, disse.
Além dos constrangimentos relacionados com combustíveis e divisas, a CTA aponta as dívidas do Estado ao sector privado, a degradação das infra-estruturas rodoviárias provocada pelas cheias e pela falta de manutenção, bem como a burocracia, como factores que continuam a elevar os custos de fazer negócio.
Massingue defendeu que estes constrangimentos devem ser enfrentados para permitir uma recuperação mais consistente da actividade empresarial.
O Economic Briefing juntou, em Maputo, empresários, membros dos pelouros da CTA, representantes da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), quadros do Governo e outras entidades ligadas ao sector económico.
Na mesma ocasião, a CTA saudou a nomeação do novo elenco que passa a dirigir a política monetária do país, liderado pelo Governador do Banco de Moçambique (BM), Felisberto Dinis Navalha, e pela Vice-Governadora, Benedita Maria Guimino.
Massingue considerou que a entrada da nova liderança ocorre num momento particularmente desafiante para a gestão monetária, cambial e financeira do país.
“Queremos publicamente saudar o novo elenco que vai dirigir a política monetária do país, liderado por Felisberto Dinis Navalha e Benedita Maria Guimino, Governador e Vice-Governadora do Banco de Moçambique, respectivamente”, afirmou.
Para a CTA, um dos principais desafios passa por encontrar o equilíbrio entre a necessária estabilidade cambial e monetária e a criação de condições para financiar a produção, o investimento e o emprego.
(AIM)
MR/pc
