Maputo, 11 de Ago (AIM) -Um esquema internacional de tráfico humano está a vitimar mulheres africanas, consistindo no recrutamento de jovens com promessas de trabalho no estrangeiro, mas que acabam por ser exploradas em fábricas de drones na Rússia.
As vítimas incluem um número ainda não especificado de moçambicanas,
Uma investigação publicada esta quinta-feira (10) pela agência Associated Press (AP), destaca, entre os recrutados, jovens na sua maioria provenientes de países como Uganda, Ruanda, Quênia, Sudão do Sul, Serra Leoa e Nigéria, que estão sendo levadas à Rússia com a promessa de participação em programas de estudo e emprego nos sectores de hotelaria e alimentação.
As vítimas, muitas em situação de vulnerabilidade económica, são seduzidas por contratos falsos, passagens pagas e a promessa de salários elevados.
Informações referem que, ao chegarem à Rússia, no entanto, as mulheres têm os passaportes confiscados e são forçadas a trabalhar em linhas de montagem de drones e outros equipamentos militares, em condições insalubres e sob vigilância armada.
Estima-se que, alguns são submetidos a jornadas de trabalho superiores a 14 horas diárias e sem remuneração.
Especialistas afirmam que a prática pode estar ligada ao aumento da procura de drones em zonas de conflito, especialmente devido à guerra na Ucrânia. A indústria militar russa, pressionada por sanções internacionais, estaria a recorrer a mão de obra estrangeira obtida de forma coerciva.
As autoridades moçambicanas ainda não confirmaram oficialmente o número de jovens moçambicanos que podem ter caído neste esquema, mas uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação afirmou que já estão abertas investigações sobre o caso com as representações diplomáticas na região.
Sobre o assunto, Lina Mucavele, defensora dos direitos da Mulher e Justiça, que acompanha o caso de perto, diz já estar a receber denúncias de casos de moçambicanos que saíram do país em circunstâncias semelhantes.
“É tráfico humano e exploração laboral no seu estado mais grave. Precisamos que o governo atue de forma urgente e que haja cooperação internacional para repatriar estas mulheres”, disse Mucavele.
Organizações internacionais, como a ONU Mulheres e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), já emitiram alertas que o caso revela um novo padrão no tráfico de pessoas, em que vítimas de países em desenvolvimento são direcionadas para indústrias estratégicas em países com economias militarizadas.
Enquanto as investigações prosseguem, familiares das mulheres desaparecidas em várias províncias moçambicanas continuam sem respostas, aguardando notícias de seus parentes que partiram em busca de um futuro melhor, mas encontraram um cenário de exploração e medo
(AIM)
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