Governadora da província de Manica, Francisca Tomás, entrega kit básico para cuidar dos pacientes nas comunidades.
Chimoio (Moçambique) 14 Nov (AIM) – Um total de 137 indivíduos foram esta sexta-feira (14), graduados como agentes polivalentes elementares de saúde na província de Manica, centro de Moçambique.
Os recém-graduados são graduados oriundos dos três distritos daquela província, nomeadamente Guro, Mossurize e Manica, divididos em sete turmas.
Receberam certificados vocacionais em saúde e vão servir as comunidades em promoção de saúde, sobretudo em zonas recônditas.
Deste número de graduados, 75 são do sexo masculino e os restantes femininos.
Os formados estão dotados de conhecimentos em primeiros socorros, tratamento de doenças prevalentes, saúde sexual e reprodutiva, bem como primeiros socorros, formado num período de seis meses.
A governadora da província de Manica, Francisca Tomás, desafiou os graduados a serem atenciosos porque poderão cuidar pessoas com todo o tipo de pessoas e com diferentes enfermidades.
“Não podem ser arrogantes e nem insultar pacientes. Mesmo que esteja sujo ou com roupa rota devemos ter a santa paciência para servir essa população. Vocês foram formados para prestar cuidados primários população” disse Francisca Tomás.
“Queremos que as pessoas deixem de percorrer longas distâncias à procura de cuidados médicos quando têm, por exemplo, malária, feridas ou fazer o seguimento de outros tipos de tratamento. Atendam a população de forma humana. Dediquem-se à causa da comunidade. Vocês são os representantes para complementar o trabalho da saúde nas comunidades”.
Apelou os graduados a evitarem cobranças ilícitas e se distanciarem de comportamentos nocivos ao sector., pois devem atender a população com muita responsabilidade, evitando o desvio de medicamentos”.
“ Sejais um exemplo nas comunidades porque vocês estão formados para cuidar da população. Não queremos ouvir que estão envolvidos em actos que comprometem os objectivos para os quais foram formados. Sirvam a população com amor e carinho” sublinhou a governante.
Acrescentou que o acesso aos serviços de saúde constitui um direito consagrado na Constituição da República.
Para a sua materialização, o governo elencou, para o presente quinquénio 2025-2029, a expansão, o acesso e a melhoria da qualidade dos serviços de saúde como um dos objectivos estratégicos prioritários, de forma a reduzir a mortalidade materna, a morbi-mortalidade por várias doenças e assim elevar o padrão de vida das nossas comunidades.
“Através da implementação destas acções, nos últimos anos temos vindo a registar progressos assinaláveis na redução das taxas de mortalidade e na melhoria do acesso aos cuidados de saúde primários nas comunidades”.
No entanto, Francisca Tomás reconheceu que a dispersão da população nas zonas rurais, a insuficiência de unidades sanitárias e de clínicos especializados, também contribui para a inacessibilidade aos serviços de saúde de qualidade e por outro, para a lentidão no atendimento dos pacientes.
Com vista a reverter este cenário, o governo procura dar especial atenção nos planos de governação, aos cuidados de saúde primários por estes representarem o primeiro contacto do indivíduo com os serviços de saúde.
“A formação destes agentes polivalentes de saúde, assenta num modelo altamente técnico e visa essencialmente aproximar e oferecer serviços de saúde de qualidade às nossas comunidades, evitando que as famílias percorram longas distâncias à procura de assistência médica e medicamentosa”.
Os finalistas, através de uma mensagem apresentada na cerimónia por Essita Laquissone Mbaimbai, reafirmaram o seu compromisso em tudo fazer para servir a comunidade.
“Iniciamos o curso sendo 140 estudantes e terminamos 137 funcionários. Enfrentamos vários obstáculos durante a formação. Mas com o apoio dos formadores, parceiros e outros intervenientes terminamos essa formação com o compromisso de que havemos de fazer valer os conhecimentos aqui adquiridos para o bem das comunidades” referiu Essita Mbaimbai.
“A teoria e o campo prático fizeram parte da nossa formação que acreditamos que serviremos, com firmeza, a população, principalmente a mais vulneráveis. Estaremos nas comunidades para aplicar com rigor o que aprendemos para justificar a nossa formação”.
Já a directora do Instituto de Ciências de Saúde de Chimoio, Luísa Abel Xirindza, disse que os graduados vão receber kits básicos para cuidar dos pacientes nas comunidades.
Vão prestar primeiros socorros às comunidades, diagnosticar e tratar doenças prevalentes, garantir assistência às comunidades em saúde e nutrição infantil, promoção da saúde sexual e reprodutiva
“Dos 140 estudantes, três perderam o curso. Um por morte, outro por mau aproveitamento pedagógico e outra estudante por desistência. Portanto, estes que hoje prestam o seu juramento estão devidamente preparados para dar o seu contributo em defesa da saúde do povo”, sublinhou Luísa Xirindza.
Este é o segundo grupo a ser formado. O primeiro, encerrou o ano passado (2024) com 120 formados que estão a servir os distritos de Guro, Manica, Macossa, Mossurize e Tambara.
A formação de agentes polivalentes de saúde é iniciativa do governo e contou com o apoio do Banco Mundial, a Rotary Club e a Visão Mundial.
O programa dos agentes de polivalentes de saúde tem uma rica história que remonta desde 1978, implementado pela primeira vez com o objectivo de aproximar os serviços de saúde às comunidades.
(AIM)
Nestor Magado (NM) /sg
