Presidente da República, Daniel Chapo e Director Executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, no relançamento do projecto Mozambique LNG, na península de Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado
Maputo, 29 Jan (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, efectuou hoje o relançamento do projecto de gás natural Mozambique LNG, na Área 1 da Bacia do Rovuma, numa cerimónia realizada na península de Afungi, distrito de Palma, província setentrional de Cabo Delgado.
Desenvolvido por um consórcio liderado pela multinacional petrolífera francesa TotalEnergies, o projecto foi suspenso em Abril de 2021, na sequência da intensificação dos ataques terroristas em alguns distritos de Cabo Delgado, situação que levou à declaração de Força Maior.
“É com renovada esperança que nos dirigimos, hoje, aos presentes neste local e a todo o povo moçambicano, do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico e na diáspora, para assinalarmos a retoma efectiva, total e completa, do Projecto de Gás Natural Liquefeito da Área 1, da Bacia do Rovuma, o Mozambique LNG”, disse o Chefe do Estado.
“Hoje é dia de festa para Moçambique, para África e para o mundo”, acrescentou Chapo, durante o evento que contou com a presença do presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné.
Segundo o Presidente da República, o reinício da construção dos estaleiros do Mozambique LNG representa uma vitória da resiliência, coragem e determinação dos moçambicanos perante as adversidades que conduziram à suspensão das actividades, motivada pela deterioração da segurança na região.
“Ficamos à espera cerca de quatro a cinco anos para a sua retomada, e hoje está-se a retomar”, sublinhou, acrescentando que, durante o período de Força Maior, Moçambique manteve-se firme no seu compromisso com a paz, a estabilidade, a reconstrução nacional e o desenvolvimento sustentável.
Chapo assegurou ainda que o país tem capacidade para superar desafios, restaurar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros e criar condições para investimentos seguros, duradouros e responsáveis.
Por seu turno, o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, manifestou satisfação por testemunhar o anúncio do reinício total do projecto LNG em Cabo Delgado, sublinhando que tal só foi possível graças aos progressos alcançados pelo Governo de Moçambique, com o apoio de aliados internacionais.
“O período de força maior acabou”, vincou, referindo que toda a engenharia do projecto, incluindo a aquisição dos principais equipamentos, está concluída, pelo que “agora é a hora de construir o projecto aqui em Afungi”.
Indicou que cerca de quatro mil trabalhadores já se encontram no local, dos quais 80 por cento são moçambicanos.
“Fico satisfeito em dizer que 80 por cento dos nossos trabalhadores são de nacionalidade moçambicana, nós já instalamos a maior parte dos nossos equipamentos e esperamos ter uma nova cidade aqui em Afungi”, afirmou.
Pouyanné anunciou igualmente a mobilização do primeiro navio, o Olympic Challenger, que já se encontra a realizar estudos técnicos para a instalação de toda a infra-estrutura de águas profundas necessária ao projecto.
“Então”, acrescentou, “vocês verão uma ampla reunião de actividades nos próximos meses, e, é claro, o objectivo primeiro é a segurança”.
O campo de gás Golfinho-Atum, localizado na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Afungi, foi aprovado em 2006 e inicialmente desenvolvido pela petrolífera norte-americana Anadarko.
Desde 2020, a TotalEnergies lidera o consórcio que desenvolve o projecto Mozambique LNG, com uma participação de 26,5 por cento, enquanto a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) detém 15 por cento.
A estrutura accionista integra ainda a japonesa Mitsui & Co (20 por cento), a ENH Rovuma Área Um (15 por cento), a indiana ONGC Videsh (10 por cento), a Beas Rovuma Energy Mozambique (10 por cento), a BPRL Ventures Mozambique (10 por cento) e a PTTEP Mozambique Área 1, da Tailândia (8,5 por cento).
(AIM)
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