Francisco Magaia, chefe do escritório da ADIN em Pemba, capital da província de Cabo Delgado
Maputo, 12 Mar (AIM) – A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) está a implementar um conjunto de projectos económicos de grande dimensão para acelerar o desenvolvimento da região norte de Moçambique, promover a coesão social e criar até 100 mil empregos até 2029.
A estratégia foi detalhada por Francisco Magaia, chefe do escritório da ADIN em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, em entrevista à AIM, na qual destacou investimentos superiores a 2,3 mil milhões de dólares destinados a dinamizar a economia regional.
Segundo Magaia, a intervenção na província de Cabo Delgado assenta numa abordagem integrada baseada em três pilares fundamentais, designadamente assistência humanitária, estabilização e desenvolvimento económico, como resposta ao impacto da insurgência que afecta a região desde Outubro de 2017.
“A questão de implementação na província de Cabo Delgado tem três objectivos essenciais, primeiro assistência humanitária, segundo construção da paz e estabilização e em terceiro lugar o desenvolvimento. Esta tem sido a abordagem principal”, explicou.
No centro desta estratégia está o Programa de Desenvolvimento Integrado do Norte (PREDIN), considerado pelo responsável como o maior programa actualmente em curso na região.
“O volume de investimentos anda por volta dos 2,3 mil milhões de dólares. Os recursos provêm sobretudo de parceiros internacionais, com destaque para o Banco Mundial”, afirmou Magaia.
De acordo com o dirigente, até ao final de 2025 o nível de execução do programa situava-se em torno de 30%, sendo agora prioridade acelerar a implementação dos projectos. Para melhorar a coordenação e monitoria, a ADIN lançou o Sistema de Gestão de Projectos do Norte (SGPN).
“O mais importante agora é acelerar a implementação destes projectos. O sistema permite ter maior controlo sobre quais parceiros têm atrasos e que medidas devem ser tomadas para garantir a conclusão das iniciativas”, explicou.
A estratégia inclui também mecanismos de financiamento directo ao sector privado através do programa Conecta Negócios e de um Fundo Catalítico de recuperação empresarial, que concede subvenções destinadas ao relançamento de pequenas e médias empresas afectadas pela crise.
Segundo a fonte, em Cabo Delgado 23 empresas começaram recentemente a receber financiamento inicial entre um e três milhões de meticais (um dólar equivale a 63,7 meticais), equivalente a 50% do apoio total previsto para cada beneficiário.
“Assim que demonstrem ter aplicado a primeira parte do financiamento, receberão a segunda prestação”, explicou Magaia.
Além da recuperação empresarial, a ADIN aposta na criação de parques industriais como motores de crescimento regional. Neste contexto, o governo mapeou nove parques industriais na província de Cabo Delgado, concebidos como pólos de desenvolvimento associados a grandes projectos extractivos e energéticos.
Entre os exemplos citados estão os projectos de exploração de gás na península de Afungi, mineração de rubis em Montepuez e exploração de grafite em Balama e Ancuabe. Estes investimentos âncora deverão estimular cadeias de fornecimento locais e abrir oportunidades para pequenas e médias empresas.
“A ideia é desenvolver parques industriais de fornecedores locais e externos à volta destes projectos âncora, fomentando emprego para os jovens”, afirmou.
Um dos programas complementares é o Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, Paz e Segurança, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento. O projecto está orçado em cerca de 17 milhões de dólares e deverá criar 24 mil empregos directos, dos quais 60% destinados a jovens e 50% reservados para mulheres, beneficiando aproximadamente 100 mil pessoas.
A estratégia económica está igualmente ligada à retoma do projecto de gás liderado pela TotalEnergies, considerado um dos maiores investimentos previstos para a região. Segundo Magaia, o impacto no emprego pode ser significativo.
“Se tivermos entre 5 mil e 20 mil trabalhadores no projecto, o efeito multiplicador pode gerar entre 20 mil e 200 mil empregos indirectos na cadeia de fornecimento de bens e serviços”, afirmou.
Apesar do potencial económico, o responsável sublinha que o sucesso da reconstrução depende igualmente da coesão social e da reintegração das comunidades afectadas pela violência.
“A coesão social é uma área importante na reconstrução do tecido social dentro das comunidades. Precisamos garantir que as populações que regressam tenham capacidade produtiva e convivam novamente em paz nas zonas onde viviam antes”, disse.
Apontou a agricultura, a pesca e a recuperação de serviços básicos, como escolas, hospitais, água e electricidade, como prioridades para garantir a estabilidade e o desenvolvimento sustentável da região norte de Moçambique.
(AIM)
Paulino Checo /sg
