Maputo, 23 Abr (AIM) – A Federação moçambicana de Operadores de Madeira (FEDEMOMA) defende a industrialização do sector da madeira como uma das medidas essenciais para travar a exportação desta matéria-prima em bruto e, naturalmente, reforçar o equilíbrio da balança comercial do país.
A posição foi expressa esta quinta-feira, em Maputo, no lançamento do Plano Estratégico da federação para o período 2026-2035, instrumento que visa reforçar a organização do sector, promover a transformação industrial da madeira e assegurar uma exploração sustentável dos recursos florestais.
Falando na ocasião, o presidente da FEDEMOMA, Jorge Chacate, afirmou que o plano resulta de cooperação com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no âmbito do projecto de revitalização das associações florestais e capacitação dos operadores em legislação, segurança e saúde ocupacional.
“O documento que hoje ganha vida é o corolário de uma parceria estratégica com a Organização Internacional do Trabalho, no âmbito da revitalização das associações florestais em Moçambique, capacitação em legislação florestal, segurança e saúde ocupacional no trabalho e conduta empresarial responsável”, afirmou.
Segundo Chacate, o processo envolveu a reorganização de associações nas províncias de Manica, Sofala e Niassa, posteriormente alargado a Cabo Delgado, estando em curso o registo de novas associações florestais.
O dirigente explicou ainda que o plano prevê a criação de três centros de formação tecnológica nas regiões sul, centro e norte do país, destinados à capacitação de operadores e à promoção da transformação industrial da madeira.
“O objectivo é dotar os operadores de conhecimentos técnicos para a produção de mobiliário, portas, janelas e outros produtos de alto valor acrescentado”, referiu.
A FEDEMOMA defende que a industrialização permitirá reduzir a exportação de madeira em bruto e aumentar o valor acrescentado no mercado interno.
“Queremos romper o ciclo de exportação de matéria-prima em bruto e assegurar que a madeira moçambicana seja transformada e consumida em produtos nacionais”, declarou Jorge Chacate.
Por sua vez, o director nacional de Florestas, Imede Falume, afirmou que o sector enfrenta desafios como a exploração ilegal, a desorganização dos operadores e a redução do número de licenciados. “Há cinco anos tínhamos mais de 800 operadores registados e actualmente, cerca de 400”, disse.
Segundo o responsável, o Governo tem vindo a implementar reformas no sector, com destaque para a política florestal 2020-2035, a revisão da Lei de Florestas em 2023 e a aprovação do respectivo regulamento em 2024.
Falume anunciou ainda a introdução de um sistema digital de rastreio da madeira, que permitirá maior controlo e transparência. “Cada árvore abatida será rastreada desde a sua origem até ao destino final”, explicou.
O representante da Organização Internacional do Trabalho em Moçambique, Antenor Pereira, destacou que o plano contribui para a promoção de empresas sustentáveis e trabalho digno no sector.
“O crescimento sustentável exige trabalho digno, respeito pelos direitos laborais e ambientes de trabalho seguros e saudáveis”, afirmou.
Acrescentou que a capacitação institucional e a valorização da produção poderão gerar mais empregos ao longo da cadeia da madeira.
O Plano Estratégico da FEDEMOMA prevê ainda o reforço institucional da federação, expansão de delegações provinciais e maior cooperação com o Governo e comunidades locais, visando uma gestão sustentável dos recursos florestais.
(AIM)
NL/mz
