Nini Satar
Maputo, 23 Abr (AIM) – O Procurador-geral da República, Américo Letela, revelou que os contornos do assassinato de Elvino Dias, advogado do ex-candidato presidencial derrotado, Venâncio Mondlane, e do mandatário do partido PODEMOS, Paulo Guambe, extravasam crime simples e têm fortes ligações com o falecido recluso Momade Assif Abdul Satar, mais conhecido por Nini.
Na última semana de março de 2025, Nini Satar foi encontrado morto na sua cela na Cadeia de Máxima Segurança de Maputo, vulgo B.O. por razões ainda não reveladas pelas autoridades.
Falando hoje na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, Letela reconheceu a complexidade existente na busca de provas e dos culpados da morte de Dias e Guambe.
Dois dos suspeitos estão encarcerados na Cadeia Civil de Maputo. Não foi referenciado um possível terceiro acusado.
“A investigação é complexa. Como se pode notar trata-se de um processo que exige acuidade, e exaustão na investigação, tendo em conta estas e outras vias que possam surgir no decurso da instrução do processo”, disse.
A morte de Dias e Guambe, incluindo a Edite, terceira vítima, ocorreu quando ambos foram interpelados por duas viaturas de marca Mazda – BT50 em que, de uma delas, saíram dois indivíduos que abriram fogo contra a viatura em que as vítimas viajavam.
A morte de Dias, Guambe e Edite surgiu dias após a divulgação dos resultados preliminares das VII eleições gerais e IV das assembleias provinciais. Nessa altura Venâncio Mondlane se ocupava na convocação de manifestações “ilegais, violentas e criminosas”.
“Até este momento, foram identificados e ouvidos três suspeitos, dois dos quais em reclusão no estabelecimento penitenciário preventivo de Maputo”, disse Letela.
Revelou, igualmente, as circunstâncias que antecederam os ataques sofridos pela única mulher baleada no acto, apontada como sendo namorada de Nini Satar.
Elvino Dias estava a dar seguimento do caso que envolvia a suposta namorada de Nini Satar que, alegadamente, teria falecido na vizinha África do Sul.
A acompanhante de Elvino Dias e Paulo Guambe, na viatura, teria revelado informações sobre os contornos de todas as actividades desenvolvidas por Nini, enquanto fora do país.
“Havia um processo que estava a correr contra a senhora Edite. Infelizmente, era um dos mandatários lá no processo, e foram forjados alguns documentos dando a entender que esta senhora estava morta”, disse.
Afirmou que das investigações efectuadas no território sul-africano, a PGR descobriu a falsidade dos documentos.
Feitas as diligências, a PGR apurou que Nini Satar estava a encabeçar toda a falsificação da documentação “da falecida”, que no dia do assassinato de Dias e Guambe esteve na viatura.
A vítima estava a iniciar uma colaboração com as autoridades para desvendar as ligações com Nini Satar, e Elvino Dias, como advogado, dava seguimento do caso.
A PGR, segundo Letela, está em busca das reais causas da tensão pós-eleitoral em Moçambique, que causou danos humanos, materiais incalculáveis.
(AIM)
Ac/mz
