Maputo, 04 Jun (AIM) – A produção anual de cerca de 4,2 milhões de toneladas de resíduos sólidos coloca a gestão do lixo entre os maiores desafios ambientais urbanos de Moçambique, num contexto de crescimento populacional, urbanização acelerada e aumento do consumo.
A preocupação foi manifestada pela directora nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Sónia Muando, em entrevista à AIM, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, que se assinala esta sexta-feira, 05 de Junho.
Segundo a responsável, a capacidade de recolha, tratamento e reciclagem continua aquém das necessidades, sobretudo nos principais centros urbanos do país.
“Continuamos a enfrentar limitações na recolha, tratamento e reciclagem dos resíduos, situação que exige investimentos contínuos em infra-estruturas modernas de gestão do lixo”, afirmou.
Dados apresentados pela fonte indicam que a cidade de Maputo produz entre 1.200 e 1.800 toneladas de resíduos por dia, enquanto a Matola gera mais de 400 toneladas diárias e Nampula entre 500 e 600 toneladas.
Para responder ao problema, o Governo está a implementar diversos projectos de infra-estruturação no sector.
Entre as iniciativas em curso destaca-se a construção do aterro sanitário de Matlemele, na província de Maputo, sul de Moçambique, bem como novos aterros sanitários em Nacala, Nampula e Pemba, no norte.
“Estamos igualmente a iniciar a reabilitação ambiental da antiga lixeira de Hulene para transformar aquela área num ambiente mais saudável”, explicou.
Muando considera que a poluição por resíduos sólidos e plásticos constitui, actualmente, uma das principais ameaças ambientais nas zonas urbanas.
“A nossa principal preocupação em termos de poluição está relacionada com os resíduos sólidos e os plásticos. Precisamos reforçar a educação ambiental e melhorar a gestão destes materiais”, afirmou.
A directora destacou ainda a aposta governamental na promoção da economia circular, através da reutilização, reciclagem e valorização de resíduos.
“Temos de mudar a forma como encaramos os resíduos. Muitos materiais podem ser reutilizados, reciclados e reintegrados nos processos produtivos”, referiu.
Segundo a fonte, é igualmente necessário incentivar a separação de resíduos na origem e reforçar a consciencialização ambiental junto das comunidades.
“É importante que os cidadãos compreendam que os resíduos podem ser separados e reciclados. Precisamos construir uma cultura de responsabilidade ambiental”, defendeu.
Muando sublinhou que a melhoria da gestão de resíduos constitui uma das prioridades do Governo no âmbito da agenda ambiental e climática.
“Se queremos cidades mais limpas, saudáveis e resilientes, temos de investir em infra-estruturas, educação ambiental e participação activa das comunidades”, concluiu.
(AIM)
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